Roma e o mundo que ela deixou
História · 6º ano · 4º Bimestre · BNCC EF06HI13, EF06HI14, EF06HI15, EF06HI16, EF06HI17, EF06HI18, EF06HI19
neuren
Apostila · Ensino Fundamental
Roma e o mundo
que ela deixou
História · 6º ano · 4º Bimestre
753 a.C. 509 a.C.
27 a.C. 476 d.C.
fundação república
império queda
Capítulos 3
Leitura ~75 min
Questões 12
BNCC EF06HI13–19
O que você vai aprender
Abertura do bimestre
A cidade que virou mundo
No 3º bimestre você estudou a Grécia e a invenção da política — a ideia, então inédita, de que uma comunidade pode decidir seus rumos discutindo em praça pública. Agora o foco vai para o outro lado do Mediterrâneo.
Roma começou pequena: uma cidade às margens de um rio, cercada de vizinhos mais fortes. Mil e duzentos anos depois, governava da Britânia ao Egito. Como? E por que, depois de tudo isso, acabou?
Estas são as duas perguntas do bimestre. E há uma terceira, mais interessante: o que de Roma continuou existindo depois que Roma deixou de existir? A resposta está mais perto de você do que parece — inclusive na língua que você está lendo agora.
O caminho do bimestre
Cap. Do que trata BNCC
Da monarquia à república — e quem de fato mandava
EF06HI13 · EF06HI14
O Império: expansão, escravidão e cristianismo
EF06HI14 · EF06HI17 · EF06HI18
A queda, o legado e o mundo que veio depois
EF06HI15 · EF06HI16 · EF06HI19
Lembrete do 1º bimestre
Você aprendeu que toda fonte tem um ponto de vista. Vale redobrar o cuidado aqui: quase tudo que sabemos de Roma foi escrito por homens ricos, romanos e letrados . Escravizados, mulheres e povos conquistados aparecem quase sempre pelos olhos de quem os dominava — quando aparecem.
A lenda e a arqueologia
Capítulo 1 · Da monarquia à república
Duas versões da fundação
A versão que os próprios romanos contavam: dois irmãos gêmeos, Rômulo e Remo, abandonados no rio, amamentados por uma loba e criados por um pastor. Adultos, decidem fundar uma cidade; discutem sobre onde; Rômulo mata Remo e dá seu nome ao lugar. Ano de 753 a.C.
A versão que a arqueologia sustenta: pequenas aldeias de pastores ocupavam as colinas junto ao rio Tibre e, ao longo do tempo, foram se unindo numa cidade só. Sem loba, sem gêmeos, sem data exata.
Por que estudar a lenda, então?
Porque ela não é falsa como fonte — é falsa como relato de fatos, mas verdadeira como retrato do que os romanos queriam ser . Uma origem divina, um fundador guerreiro, a fundação nascendo de um ato de força. A lenda não conta como Roma começou; conta como Roma gostava de se ver . E isso é informação histórica de primeira qualidade.
A monarquia (753–509 a.C.)
Roma foi governada por reis por cerca de dois séculos e meio. Os últimos, segundo a tradição, eram etruscos — povo vizinho, mais desenvolvido, de quem os romanos aprenderam engenharia, alfabeto e formas de organizar a cidade.
O rei era acompanhado por um Senado , conselho formado pelos chefes das famílias mais poderosas. Guarde este nome: o Senado atravessa a história inteira de Roma e sobrevive a todas as mudanças de regime.
A república (509–27 a.C.)
Em 509 a.C., a aristocracia derruba o último rei. O poder deixa de ser de um só e passa a ser dividido entre magistrados eleitos, com mandatos curtos e quase sempre em duplas — dois cônsules governavam ao mesmo tempo, cada um podendo vetar o outro. A palavra vem do latim res publica : "coisa pública".
Instituição Função
Cônsules (2)
chefiavam governo e exército, por um ano
Senado
vitalício; orientava política externa e finanças — o poder de fato
Assembleias
votavam leis e elegiam magistrados
Tribunos da plebe
defendiam os plebeus; podiam vetar decisões
Patrícios, plebeus e o veto
Capítulo 1 · Da monarquia à república
Uma república de poucos
A sociedade romana era dividida por nascimento. Patrícios eram os descendentes das famílias fundadoras: donos de terra, com acesso aos cargos e aos sacerdócios. Plebeus eram todos os demais cidadãos livres — camponeses, artesãos, comerciantes. Livres, mas fora do poder.
Os plebeus lutavam no exército e sustentavam a economia, mas no começo da república não podiam ser magistrados nem casar com patrícios. A pressão foi conquistando espaço aos poucos, e a arma principal foi surpreendente: a greve . Em vários momentos os plebeus simplesmente saíram da cidade, recusando-se a servir no exército. Sem soldados, Roma não se defendia — e os patrícios cediam.
Conquista O que mudou
Tribuno da plebe
um magistrado só deles, com poder de veto
Lei das Doze Tábuas
a lei passa a ser escrita e exposta em público
Direito ao casamento
fim da proibição de casar com patrícios
Acesso ao consulado
plebeus podem ocupar o cargo mais alto
Por que escrever a lei foi tão importante
Antes das Doze Tábuas, a lei era conhecida apenas pelos patrícios, que a interpretavam. Escrever a lei e expor a tábua na praça significa que qualquer um pode conferir . O juiz deixa de poder inventar. É a mesma ideia que sustenta, até hoje, publicar leis em diário oficial — e vale lembrar que, na época, isso foi arrancado por pressão popular, não concedido por generosidade.
Um limite que não se pode esquecer
Mesmo com todas essas conquistas, a república romana não era uma democracia como a ateniense — e a ateniense já era restrita. Mulheres não votavam. Escravizados não eram considerados cidadãos. E o voto nas assembleias era organizado por grupos de riqueza, de modo que os votos dos mais ricos pesavam muito mais. Roma alargou quem participava; nunca chegou perto de incluir todo mundo.
Pratique — parte 1
Capítulo 1 · Prática
Pratique o que leu
Questão 1 básica
Por que a lenda de Rômulo e Remo é útil ao historiador, mesmo não sendo um relato de fatos?
Porque foi confirmada por escavações arqueológicas
Porque revela como os romanos queriam ser vistos: de origem divina e fundados pela força
Porque é a única fonte que existe sobre Roma
Porque foi escrita no próprio ano de 753 a.C.
Ela revela a autoimagem. Como relato de fatos é falsa; como fonte sobre os valores romanos é excelente. Distinguir esses dois usos de uma mesma fonte é uma das habilidades centrais da História.
Questão 2 básica
O que caracterizava o governo republicano romano, em oposição à monarquia?
Todo o povo votava diretamente em todas as decisões
O poder passou a ser exercido por magistrados eleitos, com mandatos curtos e em duplas
O rei passou a ser escolhido pelo Senado
O exército passou a governar diretamente
Mandatos curtos e poder dividido. Dois cônsules por um ano, cada um podendo vetar o outro: o desenho todo foi feito para impedir que alguém acumulasse poder de rei outra vez.
Questão 3 intermediária
Qual foi a principal forma de pressão usada pelos plebeus para conquistar direitos?
Revoltas armadas contra o Senado
Retirar-se da cidade e recusar o serviço militar, deixando Roma sem defesa
Comprar cargos dos patrícios
Pedir ajuda a povos estrangeiros
A greve. Sem plebeus não havia exército, e sem exército Roma não se defendia. Foi a dependência que os patrícios tinham deles que deu força à negociação.
Questão 4 avançada
Por que escrever a Lei das Doze Tábuas e expô-la em público representou um avanço concreto?
Porque tornou as penas mais brandas
Porque qualquer cidadão passou a poder conferir a lei, e os patrícios deixaram de poder interpretá-la a seu favor
Porque acabou com a divisão entre patrícios e plebeus
Porque deu direito de voto às mulheres
Lei escrita é lei verificável. Antes, quem conhecia a norma também a aplicava. Publicar não mudou o conteúdo da lei — mudou quem podia controlá-la, e é aí que estava o poder.
Conquistar tem preço
Capítulo 2 · O Império
A expansão que quebrou a república
Entre os séculos III e I a.C., Roma derrotou Cartago, dominou a Grécia, o Egito, a Gália e boa parte do Oriente Próximo. Tornou-se dona do Mediterrâneo — que passou a ser chamado, sem modéstia, de mare nostrum : "nosso mar".
O paradoxo é que foi essa vitória que destruiu a república . Vale entender a mecânica, porque ela se repete na história:
Consequência da conquista Efeito interno
Chegada de milhares de escravizados
o trabalho livre do pequeno camponês fica sem valor
Camponês passa anos fora, na guerra
perde a terra, endividado
Ricos compram as terras abandonadas
surgem latifúndios trabalhados por escravizados
Massa de sem-terra migra para Roma
cidade superlotada, dependente de doações
Generais ficam ricos e populares
exército passa a ser leal ao general, não à república
Quando o soldado passa a dever seu pagamento e sua terra ao general — e não ao Estado —, o general vira um poder autônomo. Foi assim que se sucederam guerras civis, até que Otávio , sobrinho-neto de Júlio César, venceu todos os rivais. Em 27 a.C. recebeu o título de Augusto e concentrou poderes que nenhum magistrado republicano jamais tivera.
O detalhe mais astuto
Augusto não aboliu a república — pelo menos não no papel. O Senado continuou existindo, os cônsules continuaram sendo eleitos, os rituais continuaram. Ele apenas acumulou, em si, os poderes de vários cargos ao mesmo tempo. Formalmente, tudo seguia como antes. Na prática, Roma tinha um imperador. Manter a aparência da instituição enquanto se esvazia o conteúdo dela é uma jogada política que a História veria muitas vezes depois.
A escravidão antiga
Capítulo 2 · O Império
A base de tudo
Não é possível entender Roma sem encarar isto: a economia romana funcionava sobre trabalho escravizado . Em algumas regiões e períodos, estima-se que pessoas escravizadas fossem entre um quinto e um terço da população.
Como alguém se tornava escravizado
Principalmente pela guerra : populações inteiras de cidades derrotadas eram vendidas. Também por dívida, por pirataria, por nascimento (filho de escravizada nascia escravizado) e por abandono de recém-nascidos.
Uma diferença que importa
A escravidão antiga não era baseada em raça . Um grego culto, um gaulês, um sírio, um africano: qualquer um podia ser escravizado se fosse derrotado ou se devesse. Isso não a torna menos violenta — mas é diferente da escravidão moderna nas Américas, que foi justificada por uma teoria racial e recaiu sistematicamente sobre povos africanos e seus descendentes. Comparar as duas sem notar essa diferença leva a conclusões erradas sobre as duas.
Onde trabalhavam
Nas minas e nos latifúndios, em condições brutais e com expectativa de vida curta. Nas casas urbanas, como cozinheiros, tutores dos filhos, secretários, médicos. Nas obras públicas. E na arena, como gladiadores.
Alguns eram libertos — por vontade do dono ou comprando a própria liberdade — e se tornavam libertos , com direitos limitados; os filhos deles já nasciam cidadãos plenos. Essa possibilidade existia, mas era exceção, e depender dela não muda a natureza do sistema.
Revoltas
A mais conhecida foi liderada por Espártaco , gladiador trácio, entre 73 e 71 a.C. Chegou a reunir dezenas de milhares de pessoas e derrotou várias legiões antes de ser esmagada. A repressão foi exemplar: milhares de crucificados ao longo da estrada que ligava Cápua a Roma — um aviso deixado à vista de quem passasse.
Pratique — parte 2
Capítulo 2 · Prática
Pratique o que leu
Questão 5 intermediária
Por que se diz que as conquistas militares enfraqueceram a república romana?
Porque Roma perdeu a maior parte das guerras
Porque a entrada maciça de escravizados e a ruína dos pequenos camponeses concentraram terras e tornaram os generais mais poderosos que as instituições
Porque os territórios conquistados eram pobres demais
Porque o Senado foi extinto durante as guerras
A vitória gerou a crise. Escravizados baratearam o trabalho, camponeses perderam a terra, latifúndios cresceram, e o soldado passou a ser leal a quem o pagava — o general. A república foi corroída por dentro pelo próprio sucesso externo.
Questão 6 intermediária
Qual estratégia política Augusto adotou ao assumir o poder em 27 a.C.?
Aboliu formalmente o Senado e se proclamou rei
Manteve as instituições republicanas funcionando, mas acumulou em si os poderes de vários cargos
Devolveu todo o poder às assembleias populares
Dividiu o império entre quatro governantes
Preservou a forma, esvaziou o conteúdo. Senado, cônsules e rituais continuaram. Na aparência, a república seguia; na prática, um homem só decidia. É uma jogada que se repetiria muitas vezes na história.
Questão 7 intermediária
Qual é uma diferença central entre a escravidão romana e a escravidão moderna nas Américas?
A romana não envolvia trabalho forçado
A romana não se baseava em critério racial: qualquer povo derrotado podia ser escravizado
Na romana todos eram libertados após alguns anos
A romana atingia apenas prisioneiros de guerra homens
O critério não era racial. Grego, gaulês, sírio ou africano: bastava ser derrotado ou dever. Isso não a torna menos brutal — mas a distingue da escravidão moderna, justificada por teoria racial e dirigida sistematicamente a povos africanos.
Questão 8 avançada
Por que os romanos crucificaram milhares de seguidores de Espártaco ao longo de uma estrada movimentada?
Porque não havia espaço nas prisões
Porque era o método mais rápido de execução
Para servir de aviso público: a punição visível funcionava como instrumento de intimidação
Por exigência de um ritual religioso
Era uma mensagem. Deixar os corpos à vista de quem trafegava pela via entre Cápua e Roma tinha função política: mostrar a qualquer escravizado o custo de se rebelar. A escolha do local é a prova da intenção.
Do cristianismo perseguido ao oficial
Capítulo 3 · A queda e o legado
Uma religião que mudou de lugar
O cristianismo nasce no século I, numa província periférica do Império — a Judeia. No começo é um pequeno movimento dentro do judaísmo, que se espalha pelas cidades usando, ironicamente, a infraestrutura romana: as estradas, a língua comum, a circulação de pessoas.
Por que era perseguido
Roma costumava ser tolerante com os deuses dos povos conquistados — bastava acrescentá-los ao próprio panteão. O problema com os cristãos era outro: eles se recusavam a prestar culto ao imperador . Para a autoridade romana, isso não era divergência religiosa, era deslealdade política . Recusar o culto era recusar Roma.
A virada
Ano O que acontece
313
Édito de Milão: Constantino garante liberdade de culto
380
Teodósio torna o cristianismo a religião oficial do Império
391
Cultos tradicionais romanos passam a ser proibidos
Repare na inversão
Em menos de oitenta anos, o cristianismo sai de perseguido para tolerado, de tolerado para oficial, e de oficial para a posição de quem proíbe os outros. Mudança de posição , não de doutrina. Guardar esse tipo de reviravolta ajuda a não tratar nenhum grupo como eternamente vítima ou eternamente algoz — a posição muda com o poder.
A queda — e o que não caiu
Capítulo 3 · A queda e o legado
476 é uma data de manual
Costuma-se dizer que o Império Romano do Ocidente caiu em 476, quando o último imperador foi deposto. A data é útil para organizar o estudo, mas engana se for levada ao pé da letra: nada desabou naquele ano . O processo levou séculos.
Causas, no plural
Extensão excessiva — defender fronteiras de milhares de quilômetros custava caro demais. Crise econômica — com o fim das conquistas, cessou a entrada de riquezas e de escravizados que sustentava o sistema. Instabilidade política — imperadores derrubados por seus próprios exércitos, um atrás do outro. Pressão dos povos germânicos — grupos que migravam e pressionavam as fronteiras, muitos deles já vivendo dentro do Império e servindo em suas legiões. Divisão administrativa — o Império foi partido em Ocidente e Oriente; o Ocidente ficou com a parte mais frágil.
Cuidado com a palavra "bárbaro"
Os romanos chamavam de bárbaros todos os que não falavam latim nem grego — a palavra imitava, com desprezo, o som de uma fala incompreensível. Chamá-los assim hoje é adotar o ponto de vista de quem os desprezava. Eram povos com organização, leis e cultura próprias: godos, vândalos, francos, lombardos.
O Oriente continuou
Enquanto o Ocidente se fragmentava, a metade oriental seguiu de pé por mais mil anos , com capital em Constantinopla — o Império Bizantino . Preservou o direito romano, o grego e boa parte da cultura antiga. Só cairia em 1453. Dizer que "Roma caiu em 476" é, portanto, uma frase que vale só para metade do assunto.
Pratique — parte 3
Capítulo 3 · Prática
Pratique o que leu
Questão 9 intermediária
Por que os cristãos eram perseguidos em Roma, se o Império costumava tolerar as religiões dos povos conquistados?
Porque a doutrina cristã era desconhecida das autoridades
Porque se recusavam a prestar culto ao imperador, o que era lido como deslealdade política
Porque eram estrangeiros vindos de fora do Império
Porque não pagavam impostos
Recusar o culto ao imperador. Roma admitia deuses novos sem dificuldade; o que não admitia era a negativa a um gesto de lealdade ao Estado. A perseguição era política antes de ser religiosa.
Questão 10 básica
O que aconteceu com a metade oriental do Império Romano depois de 476?
Foi conquistada pelos povos germânicos junto com o Ocidente
Continuou existindo por cerca de mil anos como Império Bizantino, com capital em Constantinopla
Foi incorporada ao reino dos francos
Desapareceu no mesmo ano
Seguiu por mil anos. Constantinopla só cairia em 1453. Preservou o direito romano e a cultura grega — e por isso "Roma caiu em 476" é uma frase que descreve apenas metade do que aconteceu.
Questão 11 intermediária
Por que a data de 476 deve ser tratada com cuidado?
Porque está errada: o Império acabou em 313
Porque marca a deposição de um imperador, mas a desagregação foi um processo de séculos e não atingiu o Oriente
Porque não existem fontes sobre esse período
Porque foi inventada no século XX
É um marco de organização, não um desabamento. Datas assim ajudam a dividir o estudo, mas processos históricos raramente começam ou terminam num ano. E metade do Império seguiu de pé.
Questão 12 avançada
Por que usar a palavra "bárbaro" para os povos germânicos é problemático para um historiador?
Porque é um termo moderno, que não existia na época
Porque adota o ponto de vista depreciativo dos romanos sobre povos que tinham organização, leis e cultura próprias
Porque esses povos nunca entraram em contato com Roma
Porque o termo se refere apenas aos godos
É assumir o olhar de um dos lados. A palavra imitava com desprezo o som de uma língua incompreensível. Repetir a categoria de quem dominava, sem examiná-la, é justamente o que o trabalho com fontes ensina a evitar.
Desafio Neuren
Fechamento
Desafio Neuren
Pensar como historiador
Roma ainda está aqui
Um professor afirma: "O Império Romano acabou há mais de mil e quinhentos anos, mas você convive com ele todos os dias." Reúna evidências e avalie a afirmação.
Pistas para investigar:
a língua que você está lendo agora e de onde ela vem;
as palavras república , senado , voto , júri , lei ;
por que o Direito continua sendo ensinado com termos em latim;
os meses de julho e agosto;
o calendário, o alfabeto, o arco e a abóbada nas construções.
Depois responda:
Cite três heranças romanas concretas na sua vida e explique cada uma.
Uma herança pode ser problemática? Pense na escravidão e na ideia de que povos "civilizados" teriam o direito de dominar outros.
Se Roma deixou tanta coisa, faz sentido dizer que ela "caiu"? Defenda uma posição.
Como avaliar sua resposta
Uma boa resposta identifica heranças em três campos diferentes — língua (o português vem do latim), direito e política (república, senado, o próprio vocabulário jurídico), técnica e cotidiano (arco, abóbada, calendário, alfabeto). Reconhece que o legado inclui coisas que hoje se rejeita, como a normalização da escravidão e a justificativa da conquista. E, na terceira pergunta, sustenta uma posição com argumento — por exemplo: caiu como Estado , permaneceu como cultura .
O que ficou do ano
Fechamento do ano
Quatro bimestres de História
Bim. Tema A pergunta central
Tempo, origens e primeiros povos
como se sabe o que aconteceu antes da escrita
Mesopotâmia e Egito
por que as primeiras cidades surgiram junto de rios
Grécia e a invenção da política
como uma comunidade decide seus próprios rumos
Roma e seu legado
como um império se constrói, se desfaz e continua
Três ideias atravessaram o ano inteiro:
1. Toda fonte tem autor, e todo autor tem posição. Você começou o ano aprendendo isso e terminou aplicando ao caso mais difícil: um império que escreveu a própria história.
2. Nenhuma sociedade é só uma coisa. A Grécia inventou a democracia e mantinha escravizados. Roma criou o direito e crucificou rebeldes em série. Segurar as duas informações ao mesmo tempo, sem escolher só a que agrada, é o que separa História de propaganda.
3. Processos não têm data exata. Nem a fundação de Roma, nem sua queda. As datas organizam o estudo; não descrevem a realidade.
Para o 7º ano
O próximo ano trata da Idade Média, das navegações e do encontro violento entre europeus, povos indígenas e africanos. Muito do que se estudou aqui reaparece lá — inclusive a pergunta sobre quem escreve a história e quem fica de fora dela.