Argumentar e convencer
Português · 6º ano · 4º Bimestre · BNCC EF06LP02, EF06LP07, EF06LP10, EF06LP11, EF06LP12
neuren
Apostila · Ensino Fundamental
Argumentar
e convencer
Português · 6º ano · 4º Bimestre
"porque sim"
opinião sem apoio
tese
dado exemplo fonte
tese sustentada por argumentos
Capítulos 3
Leitura ~70 min
Questões 12
BNCC EF06LP02, 07, 10, 11, 12
O que você vai aprender
Abertura do bimestre
O ano inteiro leva a este ponto
Vale olhar o percurso. No 1º bimestre você aprendeu a ler com atenção e descobriu que nenhum texto é neutro. No 2º , entrou na narrativa de ficção, onde o autor cria. No 3º , nos textos que informam com precisão o que aconteceu.
Agora vem o passo seguinte: textos que defendem um ponto de vista . E aqui a exigência aumenta — porque não basta dizer o que você acha. É preciso sustentar .
A distinção que organiza o bimestre
Opinião é o que você acha. Argumento é a razão que você oferece para que outra pessoa também ache. "Acho que a escola devia abrir a biblioteca no intervalo" é opinião. "Devia abrir porque 60% da turma disse que estuda melhor lá, e hoje a sala fica vazia nesse horário" é argumento.
O caminho do bimestre
Cap. Do que trata BNCC
Tese, argumento e o texto que defende uma ideia
EF06LP02
Sujeito e predicado — a estrutura da frase
EF06LP10
Concordância e ortografia: escrever para ser levado a sério
EF06LP07 · EF06LP11 · EF06LP12
Tese, argumento, conclusão
Capítulo 1 · Argumentar
A anatomia de um texto que defende
Textos argumentativos variam de forma — carta de leitor, artigo de opinião, comentário, post — mas quase todos têm as mesmas três partes.
Parte O que faz
Tese
a ideia que você defende, dita com clareza
Argumentos
as razões que sustentam a tese
Conclusão
retoma a tese e, muitas vezes, propõe algo
Tipos de argumento que funcionam
Por dado — usar número, pesquisa, medição. "Dos 120 alunos, 78 responderam que…"
Por exemplo — mostrar um caso concreto. "Na escola do bairro vizinho, a mesma medida foi adotada e…"
Por autoridade — citar quem entende do assunto. "Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria…"
Por causa e consequência — mostrar o encadeamento. "Se a biblioteca fecha no intervalo, quem depende dela perde o único horário livre que tem."
Argumento por autoridade tem regra
Citar alguém só vale se essa pessoa entende daquele assunto. Um jogador de futebol famoso não é autoridade em vacina; um pediatra não é autoridade em tática de futebol. Fama não é conhecimento — e trocar uma coisa pela outra é um dos truques mais usados na publicidade e na internet.
O contra-argumento
Um texto argumentativo fica mais forte, não mais fraco, quando reconhece o outro lado e responde a ele. Isso se chama contra-argumentação:
"Há quem diga que abrir a biblioteca no intervalo daria trabalho à equipe. É uma preocupação legítima — por isso a proposta prevê revezamento entre voluntários da turma, sem carga extra para os funcionários."
Repare no que a frase faz: admite o ponto contrário, chama a preocupação de legítima e então oferece uma solução. Ignorar a objeção não a faz desaparecer; responder a ela mostra que você pensou no assunto até o fim.
A carta de leitor
Capítulo 1 · Argumentar
Escrever para alguém que decide
A carta de leitor é um texto curto, endereçado a um jornal, revista, site — ou, na escola, à direção. Ela responde a algo publicado ou a uma situação, e defende um ponto de vista.
Estrutura
Elemento Exemplo
Local e data
Recife, 12 de novembro de 2026
Vocativo
Prezada direção,
Contexto
diz a que se refere
Tese + argumentos
o corpo da carta
Fechamento
retoma e propõe
Assinatura
nome e turma
Um exemplo comentado
Prezada direção,
Escrevo a respeito do fechamento da biblioteca durante o intervalo, em vigor desde setembro. [contexto]
Considero que a biblioteca deveria voltar a abrir nesse horário. [tese] Numa consulta feita pela nossa turma, 78 dos 120 alunos afirmaram que o intervalo era o único momento em que conseguiam estudar na escola. [argumento por dado] Além disso, desde o fechamento, o pátio tem registrado mais conflitos — sem alternativa de lugar calmo, quem queria silêncio passou a disputar espaço no barulho. [argumento por causa e consequência]
Sei que a medida foi tomada por falta de funcionários para supervisionar o espaço. [contra-argumento reconhecido] Por isso propomos uma escala de alunos voluntários do 8º e 9º ano, com apoio de um professor por semana. [resposta ao contra-argumento]
Agradeço a atenção e coloco a turma à disposição para organizar a escala. [fechamento com proposta]
Maria Clara Nunes — 6º ano B
Registro importa
A carta acima usa registro formal : sem gíria, sem abreviação, com tratamento respeitoso. Não é frescura nem é sinal de que a linguagem informal seja errada — é adequação. Você fala de um jeito com um amigo e de outro numa entrevista. Escolher o registro certo para cada situação é uma competência, e usar o informal onde se espera formal enfraquece o argumento antes mesmo de ele ser lido.
Pratique — parte 1
Capítulo 1 · Prática
Pratique o que leu
Questão 1 básica
Qual das frases é um argumento , e não apenas uma opinião?
"O recreio deveria ser maior."
"Acho o recreio curto demais."
"O recreio deveria ser maior: com 15 minutos, metade da turma não consegue nem almoçar antes do sinal."
"Todo mundo odeia o recreio de agora."
A terceira. Ela diz o que se defende e apresenta a razão, com um dado concreto. As outras afirmam sem sustentar — e "todo mundo odeia" é generalização, não evidência.
Questão 2 intermediária
Um texto sobre alimentação escolar cita um influenciador famoso para provar que certo alimento faz mal. Qual é o problema?
Nenhum: se é famoso, muita gente confia
O argumento por autoridade só vale se a pessoa citada tem conhecimento naquele assunto — fama não é conhecimento
Influenciadores nunca podem ser citados em nenhum texto
O problema é o tema, não a citação
Fama não é autoridade no assunto. Um nutricionista ou uma sociedade médica seriam fontes adequadas. O influenciador pode ser citado — mas como exemplo ou opinião, nunca como prova técnica.
Questão 3 intermediária
Por que reconhecer o argumento contrário fortalece um texto argumentativo?
Porque deixa o texto mais longo
Porque mostra que o autor considerou o outro lado e tem resposta para ele
Porque é exigência de gramática
Não fortalece: enfraquece, pois dá razão ao adversário
Mostra que o assunto foi pensado até o fim. Ignorar a objeção não a elimina — quem lê vai pensar nela sozinho. Antecipá-la e respondê-la é o que separa um texto maduro de um desabafo.
Questão 4 avançada
Numa carta à direção da escola, qual escolha de linguagem é mais adequada?
"Vocês fecharam a biblioteca e isso foi péssimo, ninguém aguenta mais"
"Escrevo a respeito do fechamento da biblioteca no intervalo, medida que, a meu ver, deveria ser revista"
"Oi, gente! Então, sobre a biblioteca..."
"Exijo que a biblioteca reabra imediatamente"
A segunda. Registro formal, sem agressividade nem excesso de intimidade, e já situa o assunto. A primeira acusa, a terceira é informal demais para o destinatário, e a quarta exige em vez de argumentar — quem exige não precisa convencer, e é justamente convencer que a carta pretende fazer.
Sujeito e predicado
Capítulo 2 · A frase por dentro
De quem se fala e o que se diz
Toda oração organiza duas informações: de quem (ou do que) se fala e o que se diz sobre isso . A primeira é o sujeito ; a segunda, o predicado .
Os alunos do 6º ano | organizaram uma consulta na turma.
sujeito predicado
Como achar o sujeito sem chutar
Encontre primeiro o verbo . Depois pergunte a ele: quem ou o quê ? A resposta é o sujeito. Verbo: organizaram . Quem organizou? Os alunos do 6º ano . Note que a pergunta é feita ao verbo, não à frase inteira — é isso que evita confundir sujeito com o começo da frase.
Cuidado: o sujeito nem sempre vem primeiro
"Chegaram ontem as respostas da consulta." A frase começa com o verbo. Pergunte: quem chegou? As respostas da consulta — esse é o sujeito, mesmo estando no fim.
Tipos de sujeito
Tipo Como é Exemplo
Simples
um núcleo só
A turma assinou a carta.
Composto
dois ou mais núcleos
Alunos e professores assinaram.
Oculto
não aparece, mas o verbo indica
Assinamos a carta. (nós)
Inexistente
não há de quem falar
Choveu durante o intervalo.
No sujeito oculto , a terminação do verbo já entrega quem é: assinamos só pode ser nós . É por isso que em português se pode dizer "cheguei" sem precisar dizer "eu cheguei" — informação que o inglês, por exemplo, não dispensa.
Em choveu , não existe sujeito nenhum. Não é que ele esteja escondido: não há quem chova. Verbos que indicam fenômenos da natureza costumam ficar assim.
Pratique — parte 2
Capítulo 2 · Prática
Pratique o que leu
Questão 5 básica
Em "As bibliotecas escolares receberam novos livros", qual é o sujeito?
novos livros
As bibliotecas escolares
receberam
A frase não tem sujeito
As bibliotecas escolares. Verbo: receberam . Quem recebeu? As bibliotecas. "Novos livros" é o que foi recebido — faz parte do predicado.
Questão 6 intermediária
Em "Chegaram ontem as respostas da pesquisa", qual é o sujeito?
ontem
Chegaram
as respostas da pesquisa
A oração não tem sujeito
As respostas da pesquisa. O sujeito não precisa vir antes do verbo. Pergunte ao verbo: quem chegou? A resposta aparece no fim da frase — e é por isso que a técnica é perguntar ao verbo, não olhar a primeira palavra.
Questão 7 intermediária
Qual frase tem sujeito inexistente ?
Fomos à biblioteca depois da aula.
Nevou na serra durante a madrugada.
Alunos e professores participaram da reunião.
O diretor respondeu à carta.
Nevou na serra. Não existe quem neve — é fenômeno da natureza. Na primeira o sujeito está oculto ( nós ); na terceira é composto; na quarta, simples.
Questão 8 avançada
Por que "Assinamos a carta" tem sujeito oculto, e não inexistente?
Porque a terminação do verbo indica quem praticou a ação: nós
Porque toda frase precisa ter sujeito
Porque o objeto "a carta" funciona como sujeito
Porque o verbo está no passado
A terminação entrega. Assinamos só combina com nós — o sujeito existe, apenas não foi escrito. No inexistente, como em "nevou", não há quem pratique a ação de jeito nenhum.
Concordância
Capítulo 3 · Escrever bem para ser levado a sério
Palavras que combinam entre si
Concordar, em gramática, é combinar . Palavras que se relacionam ajustam sua forma umas às outras.
Concordância verbal — o verbo combina com o sujeito
O aluno escreveu a carta. (um) · Os alunos escreveram a carta. (mais de um)
Parece simples, e é — até o sujeito se afastar do verbo:
"A proposta dos alunos do 6º ano foi aceita."
O verbo concorda com a proposta (singular), não com os alunos , que está mais perto mas não é o sujeito. Escrever "foram aceita" é o erro que a proximidade provoca. A defesa é sempre a mesma: identifique o sujeito antes de escolher a forma do verbo .
Concordância nominal — o adjetivo combina com o substantivo
livro novo · livros novos · revista nova · revistas novas
Com substantivos de gêneros diferentes, o adjetivo costuma ir para o masculino plural: "caderno e revista novos " .
Por que isso importa num texto argumentativo
Erro de concordância não impede a compreensão — quem lê entende do mesmo jeito. Mas desvia a atenção do argumento para a forma e, em contextos formais, reduz a credibilidade de quem escreve. Numa carta que pede algo à direção da escola, isso custa caro. Não é sobre "falar certo ou errado": é sobre não dar ao leitor um motivo fácil para não levar você a sério.
Ortografia que costuma escapar
Capítulo 3 · Escrever bem para ser levado a sério
Casos que valem decorar
Mas / mais
Mas = porém, contudo. "A proposta é boa, mas custa caro."
Mais = quantidade. "Precisamos de mais tempo."
Teste: se der para trocar por porém , é mas . Se der para trocar por menos , é mais .
Mau / mal
Mau é adjetivo, o contrário de bom . "Foi um mau exemplo."
Mal é advérbio, o contrário de bem . "Ele escreveu mal ."
Teste: troque por bom ; se couber, é mau . Troque por bem ; se couber, é mal . (As duas letras ajudam: m a u/b o m, m a l/b e m.)
Onde / aonde
Onde indica lugar sem movimento. " Onde fica a biblioteca?"
Aonde indica movimento, com verbos como ir e chegar . " Aonde você vai?"
Por que / porque / por quê / porquê
Forma Quando Exemplo
por que
pergunta, no começo
Por que a biblioteca fechou?
porque
resposta, explicação
Fechou porque faltou funcionário.
por quê
pergunta, no fim
A biblioteca fechou por quê?
porquê
substantivo (vem com artigo)
Não entendi o porquê da decisão.
Uma regra que resolve dois casos de uma vez
Antes de ponto de interrogação ou no fim da frase, por quê leva acento. É a mesma lógica de "Fiz o que pude" e "Fiz o quê?" — palavra átona no meio da frase, tônica e acentuada no fim.
Pratique — parte 3
Capítulo 3 · Prática
Pratique o que leu
Questão 9 básica
Complete: "A ideia é interessante, ___ precisa de mais estudo."
mais
mas
más
maz
mas. Cabe trocar por porém : "é interessante, porém precisa de mais estudo". Repare que na mesma frase aparece o outro mais , com sentido de quantidade.
Questão 10 intermediária
Qual frase está com a concordância verbal correta?
A proposta dos alunos foram aceitas pela direção.
A proposta dos alunos foi aceita pela direção.
As proposta dos aluno foi aceita pela direção.
A proposta dos alunos foram aceita pela direção.
A segunda. O sujeito é a proposta , no singular — "dos alunos" só especifica de quem é a proposta. A proximidade de "alunos" atrai o erro; identificar o sujeito antes de escolher o verbo é o que protege.
Questão 11 intermediária
Qual alternativa usa corretamente por que / porque / por quê / porquê ?
Porque a biblioteca fechou? Ninguém explicou o por que.
Por que a biblioteca fechou? Ninguém explicou o porquê.
Por quê a biblioteca fechou? Ninguém explicou o porque.
Porquê a biblioteca fechou? Ninguém explicou o por quê.
A segunda. Pergunta no começo: por que , separado e sem acento. Substantivo precedido de artigo ("o"): porquê , junto e com acento.
Questão 12 avançada
Por que erros de concordância podem enfraquecer um texto argumentativo, mesmo quando não atrapalham a compreensão?
Porque tornam o texto impossível de entender
Porque desviam a atenção do argumento para a forma e reduzem a credibilidade em contextos formais
Porque a gramática é mais importante que o conteúdo
Porque mudam o sentido de todas as frases
Custam credibilidade. Quem lê entende assim mesmo — mas passa a prestar atenção no erro, não na ideia. Num texto cuja função é convencer, dar esse motivo ao leitor é jogar contra o próprio objetivo.
Desafio Neuren
Fechamento
Desafio Neuren
Escrever para convencer
Sua carta
Escolha uma mudança que você defenderia na sua escola — no recreio, na biblioteca, na quadra, no cardápio, no uso do celular. Escreva uma carta de leitor à direção , de 15 a 25 linhas.
A carta precisa conter:
local, data e vocativo adequados;
uma tese clara, dita numa frase só;
dois argumentos de tipos diferentes (por dado, por exemplo, por autoridade ou por causa e consequência);
um contra-argumento reconhecido e respondido;
um fechamento que retome a tese e proponha algo concreto;
registro formal, concordância conferida e assinatura.
Antes de entregar, faça a revisão em três passadas — uma para cada coisa:
1ª — a tese está clara e aparece cedo?
2ª — cada argumento sustenta a tese, ou algum é só opinião repetida?
3ª — concordância, mas/mais , mau/mal , por que/porque .
Por que revisar em passadas separadas
Tentar corrigir conteúdo e ortografia ao mesmo tempo faz com que você deixe passar os dois. O cérebro não consegue prestar atenção plena em duas tarefas diferentes ao mesmo tempo — ele alterna, e nas alternâncias escapam coisas. Uma passada, um objetivo: é mais rápido e pega mais erro.
O que ficou do ano
Fechamento do ano
Quatro bimestres de Português
Bim. Tema O que se aprendeu a fazer
Gêneros e leitura
ler percebendo intenção e ponto de vista
Narrativa de ficção
contar uma história com narrador, tempo e personagem
Informar com precisão
relatar o que aconteceu sem inventar
Argumentar e convencer
defender uma ideia com razões
Os quatro bimestres formam uma escada. Primeiro você aprendeu a perceber que todo texto tem intenção. Depois, a criar . Depois, a relatar com responsabilidade . Agora, a defender uma posição — que é onde as três coisas anteriores se juntam: você precisa perceber o outro lado, organizar o texto e ser preciso com os fatos.
A ideia que vale para a vida
Argumentar bem não é ganhar discussão. É oferecer razões que outra pessoa possa examinar — e aceitar que ela também as ofereça a você. Quem argumenta com evidência aceita, em princípio, mudar de ideia se a evidência mudar. Quem só quer vencer, não. Essa diferença aparece muito além da aula de Português.
Para o 7º ano
No ano que vem os gêneros ficam mais exigentes — reportagem, resenha, artigo de opinião mais longo — e a análise linguística avança para os complementos do verbo e as orações coordenadas. As quatro competências deste ano continuam sendo a base: ler com atenção, narrar, informar, argumentar.